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que tudo se foda, disse ela. e se fodeu toda.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

pagaã por um momento

a carne está apodrecendo
você pode sentir a ferrugem
quanto tempo demorará?
andando nesse pôr-do-sol frio
pensando que a vida fora melhor
que trepavamos em paz
e queriamos zelar pela natureza
talvez eu pare e sente
descanse por um segundo
feche os olhos e fuja para outro plano
tenho sede e fome
e um banquete me esperará
te encontrarei no país das fadas

domingo, 22 de agosto de 2010

passando mal. (texto antigo e não corrigi porra nenhuma)

Eu era uma boa menina. Havia nascido pura. Totalmente despida de qualquer conceito, de qualquer crueldade. Meus cabelos eram finos e lisos, com aquele tom fresco de castanho e de odor doce, delicado. Mas não durou muito. Não durou porra nenhuma! Eu só ouvia:
'-Você é uma menina má.'
'-Você não terá o seu jantar hoje, Laura.'
'-Agindo assim, perderá a mim... Seu único amigo.'
Por quais frestas ruiu minha pureza? Meu corpo deixou de abrigar aquela doce inocência. Nem deus podia ouvir os gritos abafados daqueles frageis pulmões em formação. Nem ele.
'-Ora, que menina mais bonitinha.'
E por trás eu roubava. Era uma ladra de conceitos. Eu sugava a sua cultura, como a puta a procurar o sêmen quente. Não que ela goste daquilo. Ela precisa daquilo e isso é tudo. Eu levava comigo toda aquela bosta de conhecimnento que você dizia ter. Sempre no escuro. O meu sorriso era uma arma exelente para aquele jogo. Não existia perigo enquanto eu mostrasse os dentes amarelados do cigarro. E então eu fazia você crer.
'-Sou a única pessoa que ainda escuta seus gritos.'
Silêncio.
Silêncio...
Na escuridão eu me afundava, mas eu ia chegar lá em baixo, bem no fundo. Onde não há mais luz, ou possibilidade de reabilitação... E quando chegava ao ponto de não poder mais me mover...Aí sim. Eu era algo. Eu precisava sofrer. Eu era como uma pequena e insignificante mancha. Era uma imperfeição de uma paisagem morta, inútil.
Sente vontade de esfregas manchas? Você quer limpar? Quer?
Limpe a minha honrra, seu filho da mãe!
Mas não esqueça:
Eu sei o lixo que você carrega na alma. É pútrido. É orgânico! E posso te dizimar. De alguma forma, algum dia vou arrancar, nem que com as próprias unhas, essa maldita máscara que você usa. E então... Seremos os dois.
Homem e garotinha.
Meus seios cresceram hoje. Você acha digno toca-los? Eu acho graça. Você é um maldito perdedor. É um fraco.
O desespero nem sempre precisa ser histérico.
A excalibur está posta. Ela brilha convidativa.
'Mas você não é homem.'
'Você não tem força'
E nem cabelos louros. E nem olhos claros. E minha pele é quase preta.
'Você não tem nada!'
E não ter nada, do modo que entendo nesse momento, é uma dádiva. Talvez a ultima que eu tenha conhecido.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

tentando ser bukowski hoje em dia

entre minhas pernas algo frio queimava
meus olhos vermelhos viam distorções
eu pensava que porra era aquela
mas desviava tudo para a inconsciência
estavamos em um quarto escuro
um chão cinza
latas de ceveja
cinzeiros improvisados
camisinhas usadas
roupas sujas
na sua vitrola antiga rodava pink floyd
e eu vi um quadro com o semblante de neruda
você me tocava e eu era toda torpor
depois de um tempo eu dormi
e acordei num mundo diferente
você tinha formado uma barriga de cerveja
suas músicas reproduziam alegrias falsas
você não fumava mais
esquecia as nossas poesias assim que eu as declamava
e haviam crianças na casa impecavelmente limpa
tive medo de tudo.
tive medo de mim
e fechei os olhos
'você deve apenas estar viajando'

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A madrugada se acabava e o dia chegava gélido. Você dirigia o carro lentamente pelas ruas ainda iluminadas pelos postes. Eu tomava a água no litro e depois passava para que você pudesse fazer o mesmo. Talvez acreditassemos que ainda era álcool. Talvez fosse e eu não me lembro exatamente. Paramos no parque, os bancos vazios, tudo vazio. Só nós e as alucinações. Acendiamos cigarros e eles acabavam rápido demais. Conversavamos e eu deitava no seu ombro as vezes, de cançasso e de carência. O mundo estava todo colorido. Colorido e duplicado e só você era real. Meus olhos estavam pretos de maquiagem caida e eu já usava outra roupa em cima daquela que eu havia saido. Estava frio. Sua boca cheirava um pouco a álcool, mas eu não ligava. De quem era aquela roupa? Uma casa grande e cheia de espelhos e muitos jovens entrando pela janela. As luzes que eram verdes faziam no meu olhar um arco-iris grande e demorado. Um sapato de bebê estava no agasalho. Não tenho sono. Fazem quantas horas que não durmo? Fome? Não comeria nem uma bala agora. Minha cabeça girava e os pensamentos inumeros e desconexos me enlouqueciam. E você parado olhando algo que não existia. E eu parada. E todos sumiram. Eu e você. Nunca me deixe.

o pássaro

Ocorreu vendo um pôr de sol
Nuvens gélidas,intocaveis...
De dominar-me a vontade de voar.
Uma vontade súbita.
Como se fosse possivel a mim.
Olhei para os cantos,olhei nos olhos.
Queria mesmo é voar.
Sentei-me.
Segurei a vontade como quem
Segura um copo de agua.
Bebi a água.
Fechei os olhos,marejados de desejo.
Nada resolvia.
Andei pela casa, coçei a cabeça.
Sondei a TV, tentei ouvir música.
Foi quando o vi, pelas grades da janela.
Ele parecia que sorria.
Leve,solto,asas entregues ao vento.
Era um pássaro.
Daqueles bem comuns e que todas as cidades têm.
O invejei, o odiei, queria mata-lo.
Como uma louca obcessão o admirava também.
Suas asas,sua inocência livre...
Foi então que rindo tragicamente notei:
Ele não sabia o dom que possuia.
Ele jamais saberia que podia voar.
Apenas voava.
Eu sabia, podia depois escrever um conto
Que em sonho eu havia voado
Podia inventar a sensação do vento em meu rosto
E aquele pássaro?
Ele jamais!
Nunca gargalhei tanto.
Mas depois chorei.
Quem sabe lá em cima alguém ria de mim.
De mim, de ti, de todos nós.
'Maria,você sabe disso.'
Ele olhou pra moça dos cabelos longos
Fitou seus olhos,escuros e tristes.
'Não acho que você deva ir.'
Maria sabia do que se tratava,
Baixou o olhar e sentiu naquele momento
Que teria que achar a coragem perdida a tempos.
A coragem que, por se sentir segura,deixara de usar.
'Adeus'
Era a unica,palavra que poderia fazer sentido.
Ninguém mais ali iria dizer coisas de amor.
Os olhares se cruzaram pela ultima vez.
'Maria,nunca vou esquecer desses seus olhos'
Ouvia-se agora somente os passos fortes
E a chuva que caía molhando.
Era o fim, o fim.

Ferramentas do acaso
O amor não passa de um caso
Combinação entre eterno e raso.
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A noite fez de meu silêncio
Um tormento
Quero um fim, quero o sono.
Dormir até lacrimejar.
Pois de chuva,
Já basta o banho.
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A via eterna
De onde passam viajantes
Todos queremos seguir adiante
Uns para tras, outros de frente
Mas nunca sei.
A vi(d)a tem fim?
____________________________________
Lembras-te do pôr-do-sol?
Quando éramos felizes por uma eternidade?
Pois bem ,meu caro.
Findou-se.
É algo inexistente.
Como um filme,mas que
No fim,levantamos da poltrona
E voltamos para casa,vagos e sonolentos.
Somente com um ingresso
Da sessão passada.
Sem me preocupar com os erros, esse texto é importante o suficiente pra ficar assim, original.


Seus olhos pesavam e mante-los abertos era um duro pesar. Chegava doer. Ela não estava em um bom dia. Fitava suas mãos, tamanho médio. As unhas, que em um passado tão próximo eram grandes e cintilavam em cores fortes, chamativas. Agora, pairavam, pequenas, sem despertar nenhum sentimento de vida sequer, sem necessidade nem de serem roídas. Rosto amassado, como se tatuando uma noite mal dormida. Ninguém notava que ela estava ali e não fosse um fato aliviante, a desesperaria. Não significava nada e sua presença, ou ausênsia não faziam a menor diferença para ninguém. Ninguém. Mas, com uma força incrível e cheia de arrogância, ela não se importava, aquela vida que ela levava deveria ter caído a tempos, ela já deveria estar morta. E se, alguém tivesse a idéia de analisar, (não que isso fosse possivel) poderia sentir o cheiro de cádaver. Pelo menos metade dela estava pútrida. Ela sabia que até certo tempo esforçava-se para viver, sem importar o peso de tal compromisso. Fingindo não ver a nuvem que a incompletava dia após dia. Mas depois daquilo tudo... Ela estava cansada. Desses cansassos que se tem depois de aposentado, depois de morrer um pouco a cada dia. E seu olhar que vagava, as vezes visualizava os olhares sem respostas deles. Aqueles que costumavam ser seus amigos, as pessoas mais importantes de sua..Existência. Mas era confortante, ela sabia ser besteira. Jamais deveria exigir compreensão, sobre aquilo... Aquilo que nem mesmo ela sabia direito explicar. Então optou por calar-se. Calar-se é mais fácil. Calar-se é como uma maldita salvação. É você e as explicações. Sem ninguém emitindo opniões que vão contra as suas. Sem ninguém se autotitulando juiz. Além do mais, quando você toma consciência daquilo que é, fica extremamente simples (e relativo). Quando roubaram tudo o que a fez feliz ela seguiu o caminho mais fácil. O caminho do mal. E era incrivel como ela podia mentir. Saber como todos pensavam que ela tinha tudo, enquanto ela sentia o cheiro de formol... Um cádaver usando maquiagens, artefatos, sapados, bolsas. Era tão gelado... Tão pesado... E as lágrimas que eles não viam cair? As vezes ela se orgulhava disso. De ninguém saber como ardia naquele silêncio que só a solidão proporciona. Então, de uma forma que não se explica, era mais fácil calar. Era mais fácil mentir. Era mais fácil errar. Todos os seus novos dias eram assim. Mais sozinhos do que nunca e então, com superioridade ela mentiu pra si mesma. Disse que era forte e que passaria um sorriso adiante de todos. E então, meio desacostumado a brotar, ele apareceu. Um pouco torto, um pouco bobo. Mas estava ali, um dia roubando o lugar do quente salgado. Era de mentira, mas era assim que tinha de ser.

(Escrito em Março de 2009)
As pessoas passam em minha frente e elas parecem viver. Tem o espantoso ar de quem existe.Têm aqueles movimentos que de tão reais ninguém desconfia. Têm aquele olhar de humano contemporâneo, aquela preocupação com a janta e com qual vinho servir... Mas o que significa então, minha existência? Esse olhar vago que carrego, quando ando não sei para onde? Um habitual vazio, que nem obscuro ou melancólico pode ser. Aquela maneira de me calar quando a diplomacia pede um sorriso, uma frase sutil qualquer. E nas poucas vezes que a euforia me toma, ninguém compreende. Um filme sem graça, uma música de morto, um livro sem sentido. Se a paixão arde, significa sempre que irá queimar. E ferida por ferida escrevo uma história. É torta. É cega. É uma projeção escura.
-Sabrina!
'Não me entrego sem lutar...'
-Sabrina,por favor...
'Tenho ainda coração..'
-Como você não entende?Porque não me escuta?
-Eu escuto. Mas não creio mais.
-Eu te amo...
'Não aprendi a me render...'
-NÃO!Você nunca soube me amar,e essa é a questão. Você sempre preocupou-se com esses seus elementos,certos,previsiveis e que me afastaram da pessoa que amei.Eu não estou falando com o homem que amei agora,você não me olha como ele,você mecanicamente tornou-me em mais uma visão que as vezes torna-se real,e dependendo do seu humor pode ficar em seus sonhos.E esse não é o espaço que procuro. Tudo o que você acredita pode ser previsivel, mas eu não sou.
'Que caia o inimigo então...'
-O que tenho que fazer?O que faço para provar-te?Eu ERREI.Um maldito erro,Sabrina.
'Tudo passa...'
-Não existe mais,entende?Você tirou de mim aquilo que eu mais acreditava em ti.Acabou nos matando.Não quero ser mais distraída com palavras, confetes ou poesia. Um dia, você ficará sozinho e ninguém escutará sua voz. E então você perceberá o que é isso.
'Tudo passará...'
-Nunca deixarei seus olhos fugirem de meus sonhos.
-Eles são só ilusões agora.

'E nossa história,não estará pelo avesso assim,sem final feliz.
Teremos coisas bonitas a contar.
E até lá,vamos viver!Temos muito ainda por fazer...
Não olhe pra trás.
Apenas começamos.
O mundo,começa agora.Apenas começamos.'

Solução

Se pudesse fazer um desejo
Um único.
Não pediria,dinheiro.
Nem para amar eternamente.
Não iria querer imortalidade.
Nem sequer descobrir os segredos.
Se eu tivesse um desejo
Eu iria clamar,por inventar
Algo perfeito:
Um repelente para corações.