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que tudo se foda, disse ela. e se fodeu toda.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A madrugada se acabava e o dia chegava gélido. Você dirigia o carro lentamente pelas ruas ainda iluminadas pelos postes. Eu tomava a água no litro e depois passava para que você pudesse fazer o mesmo. Talvez acreditassemos que ainda era álcool. Talvez fosse e eu não me lembro exatamente. Paramos no parque, os bancos vazios, tudo vazio. Só nós e as alucinações. Acendiamos cigarros e eles acabavam rápido demais. Conversavamos e eu deitava no seu ombro as vezes, de cançasso e de carência. O mundo estava todo colorido. Colorido e duplicado e só você era real. Meus olhos estavam pretos de maquiagem caida e eu já usava outra roupa em cima daquela que eu havia saido. Estava frio. Sua boca cheirava um pouco a álcool, mas eu não ligava. De quem era aquela roupa? Uma casa grande e cheia de espelhos e muitos jovens entrando pela janela. As luzes que eram verdes faziam no meu olhar um arco-iris grande e demorado. Um sapato de bebê estava no agasalho. Não tenho sono. Fazem quantas horas que não durmo? Fome? Não comeria nem uma bala agora. Minha cabeça girava e os pensamentos inumeros e desconexos me enlouqueciam. E você parado olhando algo que não existia. E eu parada. E todos sumiram. Eu e você. Nunca me deixe.