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que tudo se foda, disse ela. e se fodeu toda.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
As pessoas passam em minha frente e elas parecem viver. Tem o espantoso ar de quem existe.Têm aqueles movimentos que de tão reais ninguém desconfia. Têm aquele olhar de humano contemporâneo, aquela preocupação com a janta e com qual vinho servir... Mas o que significa então, minha existência? Esse olhar vago que carrego, quando ando não sei para onde? Um habitual vazio, que nem obscuro ou melancólico pode ser. Aquela maneira de me calar quando a diplomacia pede um sorriso, uma frase sutil qualquer. E nas poucas vezes que a euforia me toma, ninguém compreende. Um filme sem graça, uma música de morto, um livro sem sentido. Se a paixão arde, significa sempre que irá queimar. E ferida por ferida escrevo uma história. É torta. É cega. É uma projeção escura.