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que tudo se foda, disse ela. e se fodeu toda.

domingo, 22 de agosto de 2010

passando mal. (texto antigo e não corrigi porra nenhuma)

Eu era uma boa menina. Havia nascido pura. Totalmente despida de qualquer conceito, de qualquer crueldade. Meus cabelos eram finos e lisos, com aquele tom fresco de castanho e de odor doce, delicado. Mas não durou muito. Não durou porra nenhuma! Eu só ouvia:
'-Você é uma menina má.'
'-Você não terá o seu jantar hoje, Laura.'
'-Agindo assim, perderá a mim... Seu único amigo.'
Por quais frestas ruiu minha pureza? Meu corpo deixou de abrigar aquela doce inocência. Nem deus podia ouvir os gritos abafados daqueles frageis pulmões em formação. Nem ele.
'-Ora, que menina mais bonitinha.'
E por trás eu roubava. Era uma ladra de conceitos. Eu sugava a sua cultura, como a puta a procurar o sêmen quente. Não que ela goste daquilo. Ela precisa daquilo e isso é tudo. Eu levava comigo toda aquela bosta de conhecimnento que você dizia ter. Sempre no escuro. O meu sorriso era uma arma exelente para aquele jogo. Não existia perigo enquanto eu mostrasse os dentes amarelados do cigarro. E então eu fazia você crer.
'-Sou a única pessoa que ainda escuta seus gritos.'
Silêncio.
Silêncio...
Na escuridão eu me afundava, mas eu ia chegar lá em baixo, bem no fundo. Onde não há mais luz, ou possibilidade de reabilitação... E quando chegava ao ponto de não poder mais me mover...Aí sim. Eu era algo. Eu precisava sofrer. Eu era como uma pequena e insignificante mancha. Era uma imperfeição de uma paisagem morta, inútil.
Sente vontade de esfregas manchas? Você quer limpar? Quer?
Limpe a minha honrra, seu filho da mãe!
Mas não esqueça:
Eu sei o lixo que você carrega na alma. É pútrido. É orgânico! E posso te dizimar. De alguma forma, algum dia vou arrancar, nem que com as próprias unhas, essa maldita máscara que você usa. E então... Seremos os dois.
Homem e garotinha.
Meus seios cresceram hoje. Você acha digno toca-los? Eu acho graça. Você é um maldito perdedor. É um fraco.
O desespero nem sempre precisa ser histérico.
A excalibur está posta. Ela brilha convidativa.
'Mas você não é homem.'
'Você não tem força'
E nem cabelos louros. E nem olhos claros. E minha pele é quase preta.
'Você não tem nada!'
E não ter nada, do modo que entendo nesse momento, é uma dádiva. Talvez a ultima que eu tenha conhecido.