Levantou-se sobressaltado da cama não querendo pensar. Nem no pesadelo, nem no dia que teria que ser levado. A morbidez de seu olhar sonolento escurecia a razão e ele fugia de qualquer fábula de auto-proteção. Foi até o banheiro com passos rasos carregando consigo o vazio de uma vida depravada. Pegou uma escova de dentes surrada. Quanto tempo mais ela sobreviveria sem ser substituída? Jogou a escova dentro da pia marron imunda. 'Essa vida não faz mais sentido.' Concluiu sorrindo lenta e maléfica, mente. Prostrou-se na frente de um espelho sem nexo examinando copiosamente sua cara. Os poros, as cicatrizes, os pêlos, as marcas, a oleosidade. Tudo nele era ausente. Sentiu o estômago contrair-se e então o cérebro decodificou o sinal da fome. Mais um dia, mais um dia..
[Continua]
projeção escura
.
que tudo se foda, disse ela. e se fodeu toda.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
pagaã por um momento
a carne está apodrecendo
você pode sentir a ferrugem
quanto tempo demorará?
andando nesse pôr-do-sol frio
pensando que a vida fora melhor
que trepavamos em paz
e queriamos zelar pela natureza
talvez eu pare e sente
descanse por um segundo
feche os olhos e fuja para outro plano
tenho sede e fome
e um banquete me esperará
te encontrarei no país das fadas
você pode sentir a ferrugem
quanto tempo demorará?
andando nesse pôr-do-sol frio
pensando que a vida fora melhor
que trepavamos em paz
e queriamos zelar pela natureza
talvez eu pare e sente
descanse por um segundo
feche os olhos e fuja para outro plano
tenho sede e fome
e um banquete me esperará
te encontrarei no país das fadas
domingo, 22 de agosto de 2010
passando mal. (texto antigo e não corrigi porra nenhuma)
Eu era uma boa menina. Havia nascido pura. Totalmente despida de qualquer conceito, de qualquer crueldade. Meus cabelos eram finos e lisos, com aquele tom fresco de castanho e de odor doce, delicado. Mas não durou muito. Não durou porra nenhuma! Eu só ouvia:
'-Você é uma menina má.'
'-Você não terá o seu jantar hoje, Laura.'
'-Agindo assim, perderá a mim... Seu único amigo.'
Por quais frestas ruiu minha pureza? Meu corpo deixou de abrigar aquela doce inocência. Nem deus podia ouvir os gritos abafados daqueles frageis pulmões em formação. Nem ele.
'-Ora, que menina mais bonitinha.'
E por trás eu roubava. Era uma ladra de conceitos. Eu sugava a sua cultura, como a puta a procurar o sêmen quente. Não que ela goste daquilo. Ela precisa daquilo e isso é tudo. Eu levava comigo toda aquela bosta de conhecimnento que você dizia ter. Sempre no escuro. O meu sorriso era uma arma exelente para aquele jogo. Não existia perigo enquanto eu mostrasse os dentes amarelados do cigarro. E então eu fazia você crer.
'-Sou a única pessoa que ainda escuta seus gritos.'
Silêncio.
Silêncio...
Na escuridão eu me afundava, mas eu ia chegar lá em baixo, bem no fundo. Onde não há mais luz, ou possibilidade de reabilitação... E quando chegava ao ponto de não poder mais me mover...Aí sim. Eu era algo. Eu precisava sofrer. Eu era como uma pequena e insignificante mancha. Era uma imperfeição de uma paisagem morta, inútil.
Sente vontade de esfregas manchas? Você quer limpar? Quer?
Limpe a minha honrra, seu filho da mãe!
Mas não esqueça:
Eu sei o lixo que você carrega na alma. É pútrido. É orgânico! E posso te dizimar. De alguma forma, algum dia vou arrancar, nem que com as próprias unhas, essa maldita máscara que você usa. E então... Seremos os dois.
Homem e garotinha.
Meus seios cresceram hoje. Você acha digno toca-los? Eu acho graça. Você é um maldito perdedor. É um fraco.
O desespero nem sempre precisa ser histérico.
A excalibur está posta. Ela brilha convidativa.
'Mas você não é homem.'
'Você não tem força'
E nem cabelos louros. E nem olhos claros. E minha pele é quase preta.
'Você não tem nada!'
E não ter nada, do modo que entendo nesse momento, é uma dádiva. Talvez a ultima que eu tenha conhecido.
'-Você é uma menina má.'
'-Você não terá o seu jantar hoje, Laura.'
'-Agindo assim, perderá a mim... Seu único amigo.'
Por quais frestas ruiu minha pureza? Meu corpo deixou de abrigar aquela doce inocência. Nem deus podia ouvir os gritos abafados daqueles frageis pulmões em formação. Nem ele.
'-Ora, que menina mais bonitinha.'
E por trás eu roubava. Era uma ladra de conceitos. Eu sugava a sua cultura, como a puta a procurar o sêmen quente. Não que ela goste daquilo. Ela precisa daquilo e isso é tudo. Eu levava comigo toda aquela bosta de conhecimnento que você dizia ter. Sempre no escuro. O meu sorriso era uma arma exelente para aquele jogo. Não existia perigo enquanto eu mostrasse os dentes amarelados do cigarro. E então eu fazia você crer.
'-Sou a única pessoa que ainda escuta seus gritos.'
Silêncio.
Silêncio...
Na escuridão eu me afundava, mas eu ia chegar lá em baixo, bem no fundo. Onde não há mais luz, ou possibilidade de reabilitação... E quando chegava ao ponto de não poder mais me mover...Aí sim. Eu era algo. Eu precisava sofrer. Eu era como uma pequena e insignificante mancha. Era uma imperfeição de uma paisagem morta, inútil.
Sente vontade de esfregas manchas? Você quer limpar? Quer?
Limpe a minha honrra, seu filho da mãe!
Mas não esqueça:
Eu sei o lixo que você carrega na alma. É pútrido. É orgânico! E posso te dizimar. De alguma forma, algum dia vou arrancar, nem que com as próprias unhas, essa maldita máscara que você usa. E então... Seremos os dois.
Homem e garotinha.
Meus seios cresceram hoje. Você acha digno toca-los? Eu acho graça. Você é um maldito perdedor. É um fraco.
O desespero nem sempre precisa ser histérico.
A excalibur está posta. Ela brilha convidativa.
'Mas você não é homem.'
'Você não tem força'
E nem cabelos louros. E nem olhos claros. E minha pele é quase preta.
'Você não tem nada!'
E não ter nada, do modo que entendo nesse momento, é uma dádiva. Talvez a ultima que eu tenha conhecido.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
tentando ser bukowski hoje em dia
entre minhas pernas algo frio queimava
meus olhos vermelhos viam distorções
eu pensava que porra era aquela
mas desviava tudo para a inconsciência
estavamos em um quarto escuro
um chão cinza
latas de ceveja
cinzeiros improvisados
camisinhas usadas
roupas sujas
na sua vitrola antiga rodava pink floyd
e eu vi um quadro com o semblante de neruda
você me tocava e eu era toda torpor
depois de um tempo eu dormi
e acordei num mundo diferente
você tinha formado uma barriga de cerveja
suas músicas reproduziam alegrias falsas
você não fumava mais
esquecia as nossas poesias assim que eu as declamava
e haviam crianças na casa impecavelmente limpa
tive medo de tudo.
tive medo de mim
e fechei os olhos
'você deve apenas estar viajando'
meus olhos vermelhos viam distorções
eu pensava que porra era aquela
mas desviava tudo para a inconsciência
estavamos em um quarto escuro
um chão cinza
latas de ceveja
cinzeiros improvisados
camisinhas usadas
roupas sujas
na sua vitrola antiga rodava pink floyd
e eu vi um quadro com o semblante de neruda
você me tocava e eu era toda torpor
depois de um tempo eu dormi
e acordei num mundo diferente
você tinha formado uma barriga de cerveja
suas músicas reproduziam alegrias falsas
você não fumava mais
esquecia as nossas poesias assim que eu as declamava
e haviam crianças na casa impecavelmente limpa
tive medo de tudo.
tive medo de mim
e fechei os olhos
'você deve apenas estar viajando'
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A madrugada se acabava e o dia chegava gélido. Você dirigia o carro lentamente pelas ruas ainda iluminadas pelos postes. Eu tomava a água no litro e depois passava para que você pudesse fazer o mesmo. Talvez acreditassemos que ainda era álcool. Talvez fosse e eu não me lembro exatamente. Paramos no parque, os bancos vazios, tudo vazio. Só nós e as alucinações. Acendiamos cigarros e eles acabavam rápido demais. Conversavamos e eu deitava no seu ombro as vezes, de cançasso e de carência. O mundo estava todo colorido. Colorido e duplicado e só você era real. Meus olhos estavam pretos de maquiagem caida e eu já usava outra roupa em cima daquela que eu havia saido. Estava frio. Sua boca cheirava um pouco a álcool, mas eu não ligava. De quem era aquela roupa? Uma casa grande e cheia de espelhos e muitos jovens entrando pela janela. As luzes que eram verdes faziam no meu olhar um arco-iris grande e demorado. Um sapato de bebê estava no agasalho. Não tenho sono. Fazem quantas horas que não durmo? Fome? Não comeria nem uma bala agora. Minha cabeça girava e os pensamentos inumeros e desconexos me enlouqueciam. E você parado olhando algo que não existia. E eu parada. E todos sumiram. Eu e você. Nunca me deixe.
o pássaro
Ocorreu vendo um pôr de sol
Nuvens gélidas,intocaveis...
De dominar-me a vontade de voar.
Uma vontade súbita.
Como se fosse possivel a mim.
Olhei para os cantos,olhei nos olhos.
Queria mesmo é voar.
Sentei-me.
Segurei a vontade como quem
Segura um copo de agua.
Bebi a água.
Fechei os olhos,marejados de desejo.
Nada resolvia.
Andei pela casa, coçei a cabeça.
Sondei a TV, tentei ouvir música.
Foi quando o vi, pelas grades da janela.
Ele parecia que sorria.
Leve,solto,asas entregues ao vento.
Era um pássaro.
Daqueles bem comuns e que todas as cidades têm.
O invejei, o odiei, queria mata-lo.
Como uma louca obcessão o admirava também.
Suas asas,sua inocência livre...
Foi então que rindo tragicamente notei:
Ele não sabia o dom que possuia.
Ele jamais saberia que podia voar.
Apenas voava.
Eu sabia, podia depois escrever um conto
Que em sonho eu havia voado
Podia inventar a sensação do vento em meu rosto
E aquele pássaro?
Ele jamais!
Nunca gargalhei tanto.
Mas depois chorei.
Quem sabe lá em cima alguém ria de mim.
De mim, de ti, de todos nós.
Nuvens gélidas,intocaveis...
De dominar-me a vontade de voar.
Uma vontade súbita.
Como se fosse possivel a mim.
Olhei para os cantos,olhei nos olhos.
Queria mesmo é voar.
Sentei-me.
Segurei a vontade como quem
Segura um copo de agua.
Bebi a água.
Fechei os olhos,marejados de desejo.
Nada resolvia.
Andei pela casa, coçei a cabeça.
Sondei a TV, tentei ouvir música.
Foi quando o vi, pelas grades da janela.
Ele parecia que sorria.
Leve,solto,asas entregues ao vento.
Era um pássaro.
Daqueles bem comuns e que todas as cidades têm.
O invejei, o odiei, queria mata-lo.
Como uma louca obcessão o admirava também.
Suas asas,sua inocência livre...
Foi então que rindo tragicamente notei:
Ele não sabia o dom que possuia.
Ele jamais saberia que podia voar.
Apenas voava.
Eu sabia, podia depois escrever um conto
Que em sonho eu havia voado
Podia inventar a sensação do vento em meu rosto
E aquele pássaro?
Ele jamais!
Nunca gargalhei tanto.
Mas depois chorei.
Quem sabe lá em cima alguém ria de mim.
De mim, de ti, de todos nós.
Assinar:
Comentários (Atom)